quinta-feira, 8 de junho de 2023

Ciência cidadã, primeiro excluída, agora saqueada

Ciência cidadã, primeiro excluída, agora saqueada


Pelos biólogos Deni Lineu Schwartz Filho e Maristela Zamoner

As plataformas de ciência cidadã crescem exponencialmente tanto em registros de biodiversidade quanto em cientistas participantes. Destacam-se os cidadãos que as alimentam, e as vezes encontram ali sua única forma de inclusão científica. 

É neste cenário que cada vez mais pessoas se interessam pelos conteúdos destas plataformas. Alguns participam respeitosa e generosamente, contribuindo com registros ou discussões sobre identificações de espécies. Isso favorece a eficiência de toda a rede, trazendo transparência e democratização científicas nunca vistas antes. Há quem se restrinja a assistir esta transformação que vem ocorrendo na sociedade.  

Outros recolhem dados dali para suas produções que em algum momento serão adicionadas a seus currículos, servindo para reforçar e ampliar vantagens acadêmicas, melhorias salariais ou mesmo para afirmar posições perante colegas. Entre estes, alguns olham com respeito para os que empenham esforços pessoais alimentando estas plataformas, e de fato os inserem de forma justa e honesta nos processos de produção científica de seu interesse. Outros, porém, extraem silenciosamente informações destas plataformas, as publicam em seus nomes e nem ao menos atribuem a autoria aos legítimos autores. E assim começa a predação das plataformas de ciência cidadã. 

É aqui que na área da biodiversidade precisamos diferenciar com muita clareza a natureza jurídica de um exemplar de biodiversidade coletado, tombado em uma coleção científica, de um registro fotográfico e seus dados publicados em uma plataforma de ciência cidadã. Enquanto um coletor de um exemplar físico de biodiversidade não tem o direito autoral sobre esta coleta resguardado em legislação própria, quem fotografa biodiversidade tem.

A Lei no. 9.610 de 1998 é objetiva ao definir em seu artigo 7º que fotografias são obras intelectuais protegidas. Metadados de local e data, por exemplo, são parte integrante da obra fotográfica. O artigo 28 é claro: “cabe ao autor o direito exclusivo de utilizar, fruir e dispor da obra (...)”. Segue-se o artigo 29 afirmando que “Depende de autorização prévia e expressa do autor a utilização da obra, por quaisquer modalidades”. Portanto, registros feitos por cientistas cidadãos são obras intelectuais de suas propriedades e ninguém pode usá-las sem autorização expressa. Diferindo de um bicho coletado que não tem autor, tem coletor.

A coleção de informações sobre os registros de cada autor é sua base de dados, que também está protegida pela mesma lei. Mas mais importante que isso é o fato de que a inserção de registros na plataforma é uma maneira de torná-los públicos. Uma vez publicados, podem ser citados em publicações de outras pessoas, com a natural atribuição da autoria. Isso deixa claro que o acesso aberto não é sinônimo de autorização para uso do que ali está publicado sem crédito de autoria.

Já é tempo para o cientista cidadão entender que não é uma honra ter seu trabalho usado sem nenhuma contrapartida, só porque quem fez esse uso é uma notória autoridade científica profissional ou outrem ovacionado em certos redutos. Não é uma honra, é um abuso.

Nós que publicamos nossas obras intelectuais fotográficas e bases de dados em plataformas de ciência cidadã, estamos sendo SAQUEADOS por pessoas que não respeitam nossos direitos autorais, que atropelam a lei e a ética científica. Em certos casos estas pessoas nem ao menos colaboram com a fonte da qual tiram proveito. Poderiam fazê-lo, por exemplo, contribuindo com registros ou discussões sobre identificações de espécies. Mas apenas pegam para si a produção de outras pessoas que ali colaboram voluntariamente, sem entregar nada em troca.

Chegamos a constatar a publicação de listas de espécies ou inventários que elencam táxons sem informar quais deles se originam de coleções científicas e quais de plataformas de ciência cidadã, mas afirmando que a lista é formada por ambas as categorias de fontes. Este tipo de apresentação de resultados é de pobreza científica, uma vez que não se pode reconhecer a origem dos dados e nem seus verdadeiros autores. Será que alguém acha mesmo correto tratar de forma igual, numa única lista, uma espécie cujo registro vem de um indivíduo tirado do ambiente e outra de um indivíduo que permaneceu nele?  São fontes de informação que, do ponto de vista científico, não podem ser simplesmente misturadas como se fossem iguais. Será que isso teria o objetivo de inviabilizar a defesa das pessoas cujos direitos estão sendo violados? Ou seria ignorância sobre bases elementares da ciência? 

Enquanto cientistas cidadãos pagam para fazer ciência, alguns tiram vantagem ao se apropriar indevidamente de seus resultados. E o fazem sem oferecer qualquer retorno. Em certos casos nem ao menos reconhecendo a autoria de dezenas de primeiros registros para localidades cujas espécies são listadas.

Quando se deseja usar o que não é sua propriedade, é necessário pedir autorização do autor. E quando não se está disposto a pedir autorização ao autor, e nem citá-lo, deve se restringir apenas ao que tem direito, ao que produziu com seu esforço e com seus recursos, assumindo a realidade quando seus resultados são incapazes de alcançar os de plataformas de ciência cidadã. 

Mesmo que os conteúdos destas plataformas não estivessem protegidos em seus direitos, usá-los sem o devido crédito seria conduta que não condiz com os valores da ciência e nem da sociedade civilizada. Esse uso sem crédito viola ainda os princípios internacionais da ciência cidadã, publicados em 2015 pela Associação Europeia de Ciência Cidadã, que é a maior referência mundial atual nesta área. 

Não tenho fé em nenhuma pessoa apenas por ser considerada por um grupo como mais importante que os outros. Ser autoridade em dada área para algumas pessoas, não a torna sinônimo de pessoa idônea. O que estamos vendo acontecer nas plataformas de ciência cidadã mostra bem isso. Um cientista cidadão que honra a ciência e sua ética é autoridade muito mais legítima do que qualquer outro que não preze por uma conduta austera. 

Neste cenário de abusos concretizados, é uma boa recomendação para os alimentadores de plataformas de biodiversidade e ciência cidadã, que configurem restrição máxima de direitos em seus perfis e reforcem por escrito neles, que qualquer uso de dados só poderá ser feito com a autorização do legítimo autor.

É importante robustecer que a atitude torpe de se apropriar do que é de outro, diz muito mais sobre quem age assim do que as listas de feitos colecionados em seus currículos Lattes. 

Esperamos que este artigo sirva de alerta para que publicações futuras não incorram nestas graves faltas éticas e científicas, e que cada dado tirado de publicações das plataformas de ciência cidadã seja sempre referenciado nominalmente em sua legítima autoria.

Por fim, é urgente a reflexão de todos os cientistas sobre as consequências nocivas de publicações que usam conteúdos de outros sem atribuição de autoria. Elas são prova eternizada da má conduta científica que desacredita a lisura da ciência perante a sociedade.


domingo, 28 de maio de 2023

Borboleta-omrina!







Nesse vídeo você conhecerá um pouco da borboleta Heliopetes omrina. Ela é uma linda borboleta neotropical que gosta muito de namorar. Cenas lindas aqui! Imagens, roteiro, edição, apresentação: Maristela Zamoner Consultoria técnica e revisão: Deni Lineu Schwartz Filho Música: Whimsy Groove, Kevin MacLeod, incompetech.com

 

domingo, 7 de maio de 2023

Vacum, a planta que produz borboletas numéricas!

 







Nesse vídeo vamos conhecer o vacum (Allophylus edulis), a planta que produz borboletas numéricas! Venha conosco, aqui está cheio de belezas do começo ao fim! Imagens (exceto aquelas com outras identificações), roteiro, edição, apresentação: Maristela Zamoner Consultoria técnica e revisão: Deni Lineu Schwartz Filho Música: "Adventures in Adventureland" Kevin MacLeod (incompetech.com) Licensed under Creative Commons: By Attribution 4.0 Licensehttp://creativecommons.org/licenses/by/4.0/

quinta-feira, 4 de maio de 2023

Mamães borboletas, seus filhos e suas famílias

 




Esse vídeo é uma homenagem da Terra das Borboletas a todas as mães da natureza! Vamos descobrir aqui diferentes formas das borboletas se tornarem mães! Imagens, roteiro, edição, apresentação: Maristela Zamoner Consultoria técnica e revisão: Deni Lineu Schwartz Filho Música: "Dance of the Sugar Plum Fairy" (Tchaikovsky) Kevin MacLeod (incompetech.com)Licensed under Creative Commons: By Attribution 4.0 Licensehttp://creativecommons.org/licenses/by/4.0/

Borboleta-das-canelas

 





Nesse vídeo vamos passear pela vida da borboleta-das-canelas! Você vai se surpreender com o que ela come, com as mudanças de sua aparência ao longo da vida e muito mais!
Inscreva-se já no canal da Terra das Borboletas ativando as notificações para não perder os próximos vídeos! Estamos trabalhando incansavelmente para você se encantar com a Terra das Borboletas! Ajude a natureza compartilhando bons conteúdos! Imagens (exceto aquelas com outras identificações), roteiro, edição, apresentação: Maristela Zamoner Consultoria técnica e revisão: Deni Lineu Schwartz Filho Música: "Adventures in Adventureland" Kevin MacLeod (incompetech.com)
Licensed under Creative Commons: By Attribution 4.0 License
http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/



terça-feira, 2 de maio de 2023

Consequências dos extremos de temperaturas sobre os lepidópteros.

 







Esse vídeo traz informações sobre as consequências da exposição a temperaturas extremas para os lepidópteros!  Apresentamos ilustrações inspiradas num recorte de resultados de um experimento real. Lotes de ovos de uma espécie de mariposa foram expostos a diferentes temperaturas ao longo de seu desenvolvimento, desde o ovo até o surgimento do adulto. Conheça os resultados obtidos em cada temperatura. E descubra o que podemos fazer para minimizar os impactos das atividades humanas sobre a natureza!
Imagens (exceto as que possuem identificação diferente), roteiro, edição, apresentação: Maristela Zamoner Consultoria técnica e revisão: Deni Lineu Schwartz Filho 
Músicas: "Schmetterling" e "Ascending the Vale", Kevin MacLeod (incompetech.com). Licensed under Creative Commons: By Attribution 4.0 License. 





domingo, 23 de abril de 2023

 




Publicação do vídeo: 28 de abril de 2023,


Neste vídeo você descobrirá segredos da borboleta-Fatima (Emesis fatimella)! Trazemos informações inéditas sobre a vida desta beleza neotropical ainda nunca reveladas! Imagens, roteiro, edição, apresentação: Maristela Zamoner (exceto aquelas com outras identificações de autoria) Consultoria técnica e revisão: Deni Lineu Schwartz Filho Música: "Monkoto" Kevin MacLeod (incompetech.com) Licensed under Creative Commons: By Attribution 4.0 License http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/

segunda-feira, 17 de abril de 2023

QUANTO VIVE UMA BORBOLETA?











Neste vídeo você descobrirá oito borboletas que vivem muito! Imagens, roteiro, edição, apresentação: Maristela Zamoner (exceto aquelas com outras identificações de autoria) Consultoria técnica e revisão: Deni Lineu Schwartz Filho Música: Whimsy Groove, Kevin MacLeod, incompetech.com

 

terça-feira, 11 de abril de 2023

A mais linda borboleta amarela!

 

Essa semana teremos shorts e um vídeo completo sobre essa fantástica espécie de borboleta amarela! Inscreva-se no canal da Terra das Borboletas no YouTube e assine as notificações para não perder! 

#borboleta #terradasborboletas

quinta-feira, 9 de março de 2023

6o Encontro de Observação de Borboletas

 PROGRAMAÇÃO


17 de março de 2023 - 18h (Brasil)/21h (Portugal/Reino Unido)
*Conferência de abertura, com Maristela Zamoner - Brasil
Lançamento do "Guia de borboletas neotropicais, enfoque em Curitiba e Paraná", com autores

24 de março de 2023 - 17h (Brasil)/20h  (Portugal/Reino Unido)
*Conferência "Lusoborboletas", com Pedro Pires - Portugal/Reino Unido

24 de março de 2023 - 18h (Brasil)/21h  (Portugal/Reino Unido)
*Conferência "Parcerias entre Ciência Cidadã e a Academia", com Gilberto Almeida (Brasil)

30 de março de 2023 - 10h**
**Prática de campo - conforme condição climática (Brasil)

31 de março de 2023 - 18h (Brasil)/21h (Portugal/Reino Unido)
*Conferência: "Borboletas capixabas, monitoramento participativo", com Laura Braga

31 de março de 2023 - 19h (Brasil)/22h (Portugal/Reino Unido)
*Conferência de lançamento da "Revista de Biodiversidade e Ciência Cidadã", com Sérgio Augusto Abrahão Morato (Brasil)

01 de abril de 2023 - - 18h (Brasil)/21h (Portugal/Reino Unido), apresentação "Lista de nomes populares das borboletas brasileiras", com Alexandre Soares, Carlos Eduardo Zikan e Maristela Zamoner

02 de abril de 2023 - Publicação do vídeo de encerramento.


*On-line: Terra das Borboletas (YouTube) – inscreva-se no canal para participar

**Jardim Botânico de Curitiba – em frente à Estufa Principal